Prepare-se para a vida na Era Híbrida

ARede | April 2013

By Parag Khanna

VIVEMOS na Era Híbrida, a fronteira da Era da Informação. O ser humano evolui lado a lado com a tecnologia, rumo a uma civilização homem-máquina. A tecnologia nos transforma tanto quanto nós a transformamos. E afeta o balanço de poder no mundo. A inovação de ponta não é mais privilégio dos Estados Unidos. O mais recente plano quinquenal chinês, por exemplo, destinará 1 trilhão de dólares a setores como bio e nanotecnologia, energia alternativa e robótica – e não apenas para a aquisição, mas também para alavancagem estratégica dessas tecnologias. E a evolução do homem-tecnologia não tem uma única nação ou companhia indicando o caminho.

Precisamos elevar nosso quociente tecnológico (QT) para nos adaptar às transformações. A elevação acontece com a melhora da educação, com aperfeiçoamentos biológicos, investimentos de risco em companhias de TI e mobilidade profissional global. Um QT maior só pode ser obtido em grande escala onde há apoio governamental e social. Chamo esses lugares vanguardistas de “infoestados”. O infoestado tem inúmeros atributos diferentes dos modelos anteriores de estado. A pegada econômica, por exemplo, vai além das fronteiras; núcleos urbanos industriais e seu capital humano são os geradores de valor; e a diplomacia é exercida por meio de polos de comércio e conhecimento, tanto quanto pelas capitais políticas.

O infoestado também leva a mutações antes impensáveis. A grande mudança está na forma de produzir políticas públicas a partir das novas tecnologias: a governança em tempo real, com consultas permanentes, em vez do processo tradicional da deliberação democrática escalonada. Estamos em uma democracia pós-moderna, ou pós-democracia, que combina prioridades populares com o gerenciamento racional, tecnocrático. Assim, políticas baseadas em dados oferecem uma medida mais objetiva de progresso por serem mais baseadas na evidência, e conferem maior responsabilidade à liderança.

Já existem infoestados que demonstram como tecnologia e pragmatismo governamental se cruzam. Talvez o mais evoluído seja Cingapura. A minúscula república do sudeste asiático é pioneira em um modelo de governo baseado na combinação de dados e democracia. Em nenhum outro lugar os serviços públicos são tão eficientemente realizados e diligentemente monitorados por meio de coleta de dados e indicadores de performance. Todas as funções do governo estão online (o país inteiro será coberto por fibra óptica até 2015). Com uma rede física de sensores que determina dinamicamente preços nas rodovias e monitoramento detalhado do ecossistema, a cidade se autodenomina “laboratório vivo”, por ser um sistema complexo e adaptável em que retornos constantes levam à inovação contínua das políticas públicas.

Nunca houve, e provavelmente nunca haverá, homogeneidade entre estados-nação, nações não soberanas, reinos feudais, estados tribais e, claro, estados desaparecidos ou em desaparecimento de nosso mundo. Em meio a essa falta de homogeneidade, porém, conforme o governo democrático compete com métricas de bem-estar social cada vez mais cruas e práticas, e suas consequências, os debates sobre boa governança podem ainda conferir ao infoestado um importante papel de ponte para além da fronteira.?

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